sábado, 28 de setembro de 2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Sonhei

Sonhei que tu voltaste.
Todos te viram, menos eu,
Que nunca soube o que o ocorreu
— não que isso importasse.

Você tinha tanto a explicar
E eu queria tanto ouvir!
Mas havia um mar entre nós
que me impedia de seguir.

Sonhei que tudo foi real.
Ninguém sabia, então sorri,
embora eu saiba que perdi,
pois era um sonho afinal.

domingo, 8 de setembro de 2013

aviɐ

Nove novenas
de nove e noventa
da Nívea e da noiva
da nova e da Helena

De novos caminhos
de nove videiras
de vidas sem beiras
de vasos novinhos

Havia uma via
sem eira nem beira
A via a via
sem vinho nem veia.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vi-te

Vi-te partir.
E, partindo-se,
partiram-se mil partes de corações
contigo

Mas foi num relance
Meus olhos no vidro
Seus olhos no instante:
Perdido

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

You've seen

You've seen the worst there was in me
Things I myself could never see

You've seen my bleakest nights and brightest days
Also my deepest cold and hottest flame

You've seen my winter and my spring
Carried my burden and my wings

You've seen my smile and my weep
And my ashes and my seed

Yet have I never seen such things
Inside your soul not so serene
I am the biggest devotee
of that old love we'll never be.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Instead

I lost my belief
To such a degree
That if you'd come to exist
The life before you
would have to disappear

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eclipse

I know not what lies beneath
such wasted soil,
But on the surface
the sun shines at its brightest.

terça-feira, 2 de julho de 2013

{­ ­ ­ ­ }

It starts with a spark
A small, tiny spark
A particle of pure light
that grows very bright
And it shines
and sparks its shining light
and brights even brighter

until it becomes a flame
a core of pure fire
and then passion
and desire
The flame blazes

And grows stronger!
     and bigger!
          hotter!
               brighter!
And it glimmers!
     and it glimpses!
          and it's bigger!
               and it glows!

All that might of a burning sight!
All that strength of a flaming light!
The brightest light that once could shine
shows its greatness in the skies

And then it BURSTS
into the utmost glorious night!

.....
....
...

And then it's over.

And in a heavenly sight
of a sad teary eye
All that lasts
is the emptiness of a life
A full spectrum of colors
blend into the infinity of an empty cry.

Empty words in an empty world
Empty promises to an empty soul
Empty smiles to an empty face
Ornated by empty pearls of light
Empty sighs reverberate in the space
Days go by at a slowish pace

The brightest light that once could shine
Shone its light, but had to die.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vou comprar cigarro

"Eu te segurei forte contra mim
Você escorregou pelos meus braços
Você prometeu que voltaria para mim
E eu acreditei"

Não sei se foi mesmo. Talvez tenha ido a outro lugar, ou a lugar algum, mas o que sei decerto é que não voltou. Um “já volto” prosaico saiu de sua boca antes de sair por aquela porta e assassinar um pedaço de mim, por bem ou por mal, por querer ou não. Morreu. Ao contrário de você.

Ou será que você morreu? Não sei. Talvez tenha sido atropelado no cruzamento ali da esquina, ou então se perdeu do caminho de casa e caiu na areia movediça lá onde Judas perdeu as botas. Quando eu era criança, imaginava que, quando alguém caía na areia movediça, ia parar em outro mundo. Talvez isso tenha acontecido contigo: foi parar em outro mundo; talvez aquele mundo em que existíamos nós dois e nada mais, lembra? Aquele mundo em que éramos “felizes”, com aspas não tão literais quanto possam parecer. Acho que nosso ideal de felicidade era romântico demais.

Mas você disse que ia comprar cigarros. Sentado à mesa do café, lendo meu jornal com óculos que me pesam o cenho, fumando o mesmo cigarro que você costumava fumar quando ainda existia nesta casa que já não é mais um lar, eu espero que você volte com qualquer desculpa esfarrapada

— No bar do Zé tinha acabado, precisei ir buscar lá no outro lado do universo, por isso demorei.

e que eu sorria um sorriso de canto e procure alguma verdade em seus olhos; e que eu tente e consiga dar conta do que perdemos durante a sua viagem; e que eu não desperdice mais nenhuma manhã cinzenta de domingo escrevendo linhas tortas sobre a sua ausência.


Talvez agora eu entenda melhor as famílias das vítimas da ditadura. Talvez a mão da Morte seja mais cortês do que a da Dúvida na hora de tocar-me o ombro amigavelmente.