Silêncio profundo. Ao redor, cabeças baixas e concentradas. À minha frente, sua mesa bagunçada. Meus olhos atentos. Lápis na boca, de propósito ou não. Dois metros e algumas circunstâncias nos separam. Sua cabeça, baixa como as demais, se ergue. Nossos olhares se cruzam. Sorrio mas você parece não entender, e me olha como se tentasse fazê-lo. Não sou clara o bastante, mas você é esperto. Ajeito o cabelo e volto os olhos ao papel, feito os demais. Tento disfarçar, sem sucesso. Contra minha vontade, meus olhos procuram os seus, que já procuravam os meus antes. Devoro-te, mas não decifra-me. Sorrimos de novo e sua cabeça se inclina para a direita como quem pergunta algo que não respondo. Você não percebe? Cruzo as pernas, sem esperança, mas sem pesar. Somos eternos porque você não me concretiza; se o fizesse, talvez nos perdêssemos. Jamais saberemos. Você volta a cuidar de seus papéis; eu, dos meus. Com o lápis que segurava na boca, escrevo seu nome na prova, depois o meu. Talvez, se eu for a última a sair da sala... Bem, nunca saberemos. É melhor ir agora. Boa noite, adeus.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Um dia
Mais promessas vazias
Desculpas amarelas
Noites de chuva
e torres sem fim
(este poema é uma piada interna)
Desculpas amarelas
Noites de chuva
e torres sem fim
(este poema é uma piada interna)
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Natan
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
História de amor
— Nossa! Que legal! E onde vocês se conheceram?
— nif_fild02 336 231.
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Natan
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23:40
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sábado, 23 de novembro de 2013
As músicas da minha vida
Bom dia.
São quase seis da manhã agora e eu vim aqui escrever este post porque não consigo dormir. Aliás, este post não é inédito; lembro de tê-lo feito há alguns anos, num blog que já não existe mais, e a ideia veio de uma querida amiga com da qual a vida me afastou sem que eu soubesse mais notícias: Josy. Saudades, Josy. Volte.
O título do post resume tudo. Vou falar das músicas que entitulo "da minha vida" pelo fato de me tocarem profundamente (ó o innuendo) por motivos que tentarei explicar e porque acho que a galera não pode passar por essa vida sem ouvi-las. Para me poupar de ter que elencar em ordem de preferência, vou preservar a ordem alfabética. Vem, gente.
sábado, 9 de novembro de 2013
Copo d'água
Há um copo com água
Pra mim, meio cheio
Pra você, meio vazio
Pra quem tem sede, com água
Pra quem o bebe, anseio
Pra quem não, sadio
Mas há um líquido
Incolor e insípido
Cristalino
Vital
Genuíno
Fulcral
Mas você jogou a água fora, guardou pra si o copo e de nada adiantou eu ter escrito versos rimados pra falar do que nele havia.
Guardou o copo.
O copo.
Guardou
O copo
Desculpa.
É pouco.
O copo
Sem água
Vazio
É oco.
Pra mim, meio cheio
Pra você, meio vazio
Pra quem tem sede, com água
Pra quem o bebe, anseio
Pra quem não, sadio
Mas há um líquido
Incolor e insípido
Cristalino
Vital
Genuíno
Fulcral
Mas você jogou a água fora, guardou pra si o copo e de nada adiantou eu ter escrito versos rimados pra falar do que nele havia.
Guardou o copo.
O copo.
Guardou
O copo
Desculpa.
É pouco.
O copo
Sem água
Vazio
É oco.
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
Vitupério
Bocas inflamadas regurgitam
meia dúzia de verdades
Olhos pérfidos transitam
em busca de possibilidades
Um riso alto ressoa
cheio de perversidade
Pobres dessas pessoas
vítimas das suas maldades
Eu não minto nem digo a verdade
Afastado, apenas observo
Mas às vezes, confesso, há vontade
de praticar esse seu vitupério.
meia dúzia de verdades
Olhos pérfidos transitam
em busca de possibilidades
Um riso alto ressoa
cheio de perversidade
Pobres dessas pessoas
vítimas das suas maldades
Eu não minto nem digo a verdade
Afastado, apenas observo
Mas às vezes, confesso, há vontade
de praticar esse seu vitupério.
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sábado, 19 de outubro de 2013
Paixão de microondas
Leve ao microondas o seu coração
Acerte os minutos e aperte o botão
Aguarde dois dias e logo ouvirá
O suspiro que seu peito soltará
Mas cuidado: o prato sai quente
E talvez esfrie de repente
Consuma-o com talheres de paixão
Ou, ainda, com as próprias mãos
Acompanham uma dose de ansiesade,
Bolinhas de espera e uma taça de vontade
Seja paciente e coma devagar
Pro seu apetite não logo acabar
Depois lave e guarde toda aquela louça
Seque suas mãos e enxague sua boca
Deite-se só e sonhe acordado
E acorde sonhando com ele ao seu lado
Acerte os minutos e aperte o botão
Aguarde dois dias e logo ouvirá
O suspiro que seu peito soltará
Mas cuidado: o prato sai quente
E talvez esfrie de repente
Consuma-o com talheres de paixão
Ou, ainda, com as próprias mãos
Acompanham uma dose de ansiesade,
Bolinhas de espera e uma taça de vontade
Seja paciente e coma devagar
Pro seu apetite não logo acabar
Depois lave e guarde toda aquela louça
Seque suas mãos e enxague sua boca
Deite-se só e sonhe acordado
E acorde sonhando com ele ao seu lado
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terça-feira, 8 de outubro de 2013
Desídia
Arranca-me os olhos
Consome-me a alma
Ata-me os braços
Obriga-me à calma
Paralisa-me o corpo
Devora-me as vísceras
Deixa-me morto
Embaralha-me as vistas
Leve-me embora
Não há quem resista
A essa delícia chamada
Preguiça.
Consome-me a alma
Ata-me os braços
Obriga-me à calma
Paralisa-me o corpo
Devora-me as vísceras
Deixa-me morto
Embaralha-me as vistas
Leve-me embora
Não há quem resista
A essa delícia chamada
Preguiça.
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sábado, 28 de setembro de 2013
Só um recadinho
Meu primeiro livro, North Bound, está à venda. Clique aqui para comprar e faça um autor feliz.
Natan
domingo, 22 de setembro de 2013
Sonhei
Sonhei que tu voltaste.
Todos te viram, menos eu,
Que nunca soube o que o ocorreu
— não que isso importasse.
Você tinha tanto a explicar
E eu queria tanto ouvir!
Mas havia um mar entre nós
que me impedia de seguir.
Sonhei que tudo foi real.
Ninguém sabia, então sorri,
embora eu saiba que perdi,
pois era um sonho afinal.
Todos te viram, menos eu,
Que nunca soube o que o ocorreu
— não que isso importasse.
Você tinha tanto a explicar
E eu queria tanto ouvir!
Mas havia um mar entre nós
que me impedia de seguir.
Sonhei que tudo foi real.
Ninguém sabia, então sorri,
embora eu saiba que perdi,
pois era um sonho afinal.
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