quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vi-te

Vi-te partir.
E, partindo-se,
partiram-se mil partes de corações
contigo

Mas foi num relance
Meus olhos no vidro
Seus olhos no instante:
Perdido

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

You've seen

You've seen the worst there was in me
Things I myself could never see

You've seen my bleakest nights and brightest days
Also my deepest cold and hottest flame

You've seen my winter and my spring
Carried my burden and my wings

You've seen my smile and my weep
And my ashes and my seed

Yet have I never seen such things
Inside your soul not so serene
I am the biggest devotee
of that old love we'll never be.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Instead

I lost my belief
To such a degree
That if you'd come to exist
The life before you
would have to disappear

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eclipse

I know not what lies beneath
such wasted soil,
But on the surface
the sun shines at its brightest.

terça-feira, 2 de julho de 2013

{­ ­ ­ ­ }

It starts with a spark
A small, tiny spark
A particle of pure light
that grows very bright
And it shines
and sparks its shining light
and brights even brighter

until it becomes a flame
a core of pure fire
and then passion
and desire
The flame blazes

And grows stronger!
     and bigger!
          hotter!
               brighter!
And it glimmers!
     and it glimpses!
          and it's bigger!
               and it glows!

All that might of a burning sight!
All that strength of a flaming light!
The brightest light that once could shine
shows its greatness in the skies

And then it BURSTS
into the utmost glorious night!

.....
....
...

And then it's over.

And in a heavenly sight
of a sad teary eye
All that lasts
is the emptiness of a life
A full spectrum of colors
blend into the infinity of an empty cry.

Empty words in an empty world
Empty promises to an empty soul
Empty smiles to an empty face
Ornated by empty pearls of light
Empty sighs reverberate in the space
Days go by at a slowish pace

The brightest light that once could shine
Shone its light, but had to die.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vou comprar cigarro

"Eu te segurei forte contra mim
Você escorregou pelos meus braços
Você prometeu que voltaria para mim
E eu acreditei"

Não sei se foi mesmo. Talvez tenha ido a outro lugar, ou a lugar algum, mas o que sei decerto é que não voltou. Um “já volto” prosaico saiu de sua boca antes de sair por aquela porta e assassinar um pedaço de mim, por bem ou por mal, por querer ou não. Morreu. Ao contrário de você.

Ou será que você morreu? Não sei. Talvez tenha sido atropelado no cruzamento ali da esquina, ou então se perdeu do caminho de casa e caiu na areia movediça lá onde Judas perdeu as botas. Quando eu era criança, imaginava que, quando alguém caía na areia movediça, ia parar em outro mundo. Talvez isso tenha acontecido contigo: foi parar em outro mundo; talvez aquele mundo em que existíamos nós dois e nada mais, lembra? Aquele mundo em que éramos “felizes”, com aspas não tão literais quanto possam parecer. Acho que nosso ideal de felicidade era romântico demais.

Mas você disse que ia comprar cigarros. Sentado à mesa do café, lendo meu jornal com óculos que me pesam o cenho, fumando o mesmo cigarro que você costumava fumar quando ainda existia nesta casa que já não é mais um lar, eu espero que você volte com qualquer desculpa esfarrapada

— No bar do Zé tinha acabado, precisei ir buscar lá no outro lado do universo, por isso demorei.

e que eu sorria um sorriso de canto e procure alguma verdade em seus olhos; e que eu tente e consiga dar conta do que perdemos durante a sua viagem; e que eu não desperdice mais nenhuma manhã cinzenta de domingo escrevendo linhas tortas sobre a sua ausência.


Talvez agora eu entenda melhor as famílias das vítimas da ditadura. Talvez a mão da Morte seja mais cortês do que a da Dúvida na hora de tocar-me o ombro amigavelmente.

Rebobinar

Ver, viver e ter tudo de novo e de trás pra frente.

O porta-retratos caído, partido, estilhaçado sobre o chão. Os rostos divididos por uma fissura no papel. Até que a celulose se refaz e a fissura se desfaz. Aos poucos, os fragmentos de vidro fino se aproximam e se encontram, também apagando qualquer vestígio de imperfeição que pudesse ficar para trás. A madeira encontra suas arestas e os vértices se unem, enquadrando a figura sob o vidro translúcido. Num movimento antigravitacional, o corpo desliza pelo vento e baila em direção à lisa superfície da penteadeira.

Então observo com olhos cansados a imagem de nós dois, e assim o faço pelo simples fazer, ou talvez para me lembrar de que gosto de me lembrar de você, embora essa lembrança me faça querer me afastar. Controverso, incerto, inseguro, inexplicável e encerrado.

Acabou. O que restam são estilhaços, e tudo o que se pode fazer é rebobinar e admirar por um instante, que deve ser breve, e depois varrer os cacos para debaixo do tapete, guardar os pedaços do porta-retratos e manter a fotografia guardada onde ninguém saiba, pois ela é a parte mais importante dessa cena (que se repete e se repete), até que um dia ela se desgaste e vá para aquela caixinha velha, onde ficam todas as outras fotos de menor valor.

Mas por enquanto deixe-a na segunda gaveta, por favor.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Denial

Neither my tone
nor my tune
nor my song
nor my truth

Neither false
neither true

I am tired
but not through
Neither me
nor even you
not even you
and I'm sorry too

and it's not my time
and it's not my truth
and I've got feelings for you
but it's not my time
it's not my tune
it's neither me
nor even you

sexta-feira, 8 de março de 2013

Providência divina

Sei que um ônibus cheio não é o cenário mais romântico, mas, feliz ou infelizmente, é nele que acontece o que narro. Quatro ou seis cabeças alinhadas obstruem a vista da frente. Os bancos altos contribuem, assim como as pessoas em pé. Não vejo muito além de rostos cansados ou sonolentos ou as duas coisas, indo ou vindo de ou para casa. Não sei. Estou de olhos fechados e, nesse instante, o mundo se resume às minhas agruras, pensamentos e silêncios. Daqueles, muitos afluem e vez ou outro me vem um ou outro que me faz lembrar você; aquelas coisas todas, nossa vida, flashes, frames, momentos, frases soltas, palavras que dissemos sem querer e querendo, nada mais do que eu e você em toda a nossa infinidade. Mas depois... Depois me vem a incerteza de que você voltará a fazer parte da minha vida e de que um dia teremos outros momentos para eternizar. Então a boca se torna amarga e a tarde perde um tanto de sua formosura por um instante ou dois.